Ao registar ontem o tempo de 4.35.47 minutos, que a colocou em 12º lugar na terceira série de qualificação à final dos 1500 metros dos Campeonatos Mundiais Sib-20 de Atletismo de Cali, Colômbia, a moçambicana Verónica Vicente José terminou a sua participação naquele evento, que arrancou no dia 1 de Agosto corrente e termina amanhã, sábado.

A eliminatória foi extremamente rápida, pois a vencedora da mesma, a queniana Brenda Chabet, fez 4.12.20 minutos, seis segundos acima do tempo das vencedoras das duas eliminatórias anteriores, pelo que, apesar do esforço, a nossa promessa não tinha qualquer hipótese de fazer melhor e atingir o almejado apuramento para final de amanhã às 16.00 horas.
O facto de não ter melhorado o tempo que permitiu a sua qualificação para estes mundiais (4.28.96 minutos) conduz a outras leituras, pois terá pesado o pouco tempo (três dias) que teve para se adaptar ao fuso horário (diferença de sete horas com Maputo), ao clima e à altitude de Cali, que está a 1018 metros acima do nível médio das águas do mar, o que sempre condiciona a actividade aeróbica dos atletas idos de países de baixas altitudes.
Mesmo assim, aos 19 anos de idade e tratando-se da estreia absoluta num “Mundial”, o 33° lugar conquistado no “ranking” é obra, porquanto milhares de atletas em todo o mundo bateram-se em vão para estarem na Colômbia, onde apenas 37 conseguiram responder às exigências mínimas e mostrarem o quanto valem no Estádio Olímpico Pascual Guerrero.
Falado ao desafio online, Verónica disse que lamenta a sua sorte mas não mostra qualquer sinal de desfalecimento, afirmando, para começar, que “foi muito bom ter participado neste mundial, apesar de que a minha expectativa era chegar à final. Para mim chegar até aqui, depois de ter conseguido os mínimos, já era uma vitória e tudo que viesse depois era bónus. Claro que ficaria feliz se tivesse chegado à final, mas não foi desta. Isto vai fazer com que eu trabalhe mais”.
Prosseguindo com a sua alocução, Verónica disse que “quero agradecer a todos os que me apoiaram e estiveram sempre comigo, nomeadamente o meu treinador, Alberto Lário, que apesar da situação em que ele se encontra neste momento ele sempre está comigo. Sempre me deu o apoio e conforto que quis antes da prova. Obrigada a todos os colegas, ao Comité Olímpico, a Associação Portuguesa de Moçambique, que é o meu clube e sempre me apoiou em todos os meus estágios na África do Sul e em Portugal. Obrigada a todos os membros do clube e patrocinadores. Não cheguei à final, mas não vamos desanimar. Vou continuar a trabalhar. Vou trabalhar para chegar aos seniores com o mesmo sonho de atingir a final. Chegar a este mundial não foi fácil. Ganhei experiência e sinto-me orgulhosa por isso. Acredito que com o tempo bons resultados vão aparecer”.
Por seu turno, o técnico que acompanhou a atleta, Salvador Chitsondzo, disse que “a série foi muito puxada para a nossa atleta. Ela deu o que podia dar, mas há outros factores que influenciaram o seu rendimento. Não conseguiu melhorar o tempo, mas competiu bem. Foi um pouco complicado para ela, porque teve poucos dias aqui e esta é uma zona de altitude e para a prova dela, 1500 para cima, a altitude tem uma influência negativa para quem vem duma altitude ao nível do mar como nós de Maputo. Daqui esperam-nos os Jogos Islâmicos da Turquia”.