Depois de nos anos 1980 e 1990 Moçambique ter sido uma referência do futebol africano a nível de clubes, com emblemas como o Matchedje, Ferroviário de Maputo, Desportivo de Maputo, Costa do Sol ou Maxaquene a chegarem muito longe na Liga dos Campeões, Taça da Confederação (CAF) e na extinta Taça das Taças, actualmente o cenário mudou completamente.

Os clubes nacionais estão a cada ano a “sumir” do mapa do futebol africano. Nota-se um desinteresse generalizado pelas provas continentais que é provocado pelos vários factores, entre desportivos, organizacionais e financeiros.
Nos anos 1990 e no início do novo milénio, Moçambique sempre metia equipas nas Afrotaças que, independentemente, da fase em que fossem eliminadas, davam o ar da sua graça, representando condignamente o país. Quem não se lembra das visitas a Maputo, para defrontar emblemas nacionais, de clubes como Club Africain, Etoile du Sahel, Espérance de Tunis (Tunísia), do Zamalek (Egipto), do ASEC Mimosas (Costa do Marfim), do Sundowns, do Orlando Pirates, Super Sport (África do Sul), Canon de Yaoundé (Camarões), Ashanti Gold, Asante Kotoko (Gana), Julius Berger (Nigéria), Highlands, Dymano (Zimbawe), Motema Pemba, Wydad, Raja Casablanca (Marrocos), TP Mazembe (RD Congo), Navuku (Uganda) ou Simba SC (Tanzania)?
É na esteira desses momentos nostálgicos vividos nos anos 80, 90 e início dos anos 2000 que o desafio procura entender a razão da letargia ou a alergia dos nossos clubes nas competições da CAF nos dias que correm, buscando algumas opiniões de agentes desportivos da praça, além de recapitular algumas das melhores epopeias continentais das nossas equipas.
Os nossos entrevistados, Arnaldo Salvado, António Fumo e Mano-Mano, falam da regressão das nossas provas internas, crise financeira, desorganização e desactualização dos dirigentes dos nossos clubes, corrupção e desconhecimento ou ignorância das reais vantagens destas competições no plano desportivo e monetário para os emblemas participantes como factores do distanciamento das nossas equipas.