ALMIRO SANTOS, EM PARIS

SERÁ com um traje de cores vivas que Moçambique vai desfilar hoje no rio Sena, na Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos-2024 que, pela primeira vez na história do maior evento desportivo do planeta, será realizada fora de um estádio de futebol, marcando, assim, o regresso das olimpíadas à cidade de Paris, depois dos marcantes jogos realizados pelo barão Pierre de Coubertin em 1924.
A pugilista Alcinda Panguana e o nadador Matthew Lawrence serão os porta-estandartes de Moçambique no curioso desfile marcado para hoje, que os organizadores fazem questão de ser o mais interactivo possível, pois que o mesmo passando por alguns dos mais importantes pontos de Paris, como o La Concorde, a Esplanada dos Invalides, o Museu d’Orsay, o Grand Palais e, por fim, pelo mais emblemático símbolo da Cidade Luz, a Torre Eiffel.
Apesar de os pormenores do desfile dos 204 países inscritos para estes Jogos de Paris ainda se manterem em segredo, os organizadores abriram parte do véu e revelaram que as delegações vão percorrer cerca de seis quilómetros pelo rio Sena, cortando o centro da Cidade Luz inclusivamente em barcos alegóricos, num percurso que terá mais de 80 telas gigantes para que o grande e privilegiado número de convidados para o evento acompanhe toda a trajectória do cortejo olímpico.
Tudo indica que Celine Dion e Lady Gaga sejam as cantoras convidadas para a cerimónia, mas ainda assim os organizadores preferem deixar que a imprensa, sobretudo a francesa, especule sobre os artistas que vão abrilhantar o inédito evento inaugural que marca o regresso dos Jogos Olímpicos de Paris, precisamente um século depois.
Seguindo o mesmo diapasão, os moçambicanos também optaram por não revelar a coreografia preparada para os seis quilómetros previstos para o desfile inaugural, mas prometem um momento vibrante, até porque o vestuário foi concebido por estilistas que valorizaram acessórios que identificam o país e a sua diversidade cultural.
Mas vai ser, seguramente, numa cidade em “clima de guerra” que Alcinda e Matthew vão liderar o que se espera de um pequeno mas barulhento grupo de moçambicanos a desfilar pelos mais emblemáticos pontos de Paris, para onde foi mobilizado um contingente de cerca de 50 mil agentes de segurança, incluindo militares, que estão a deixar os parisienses irritados, sobretudo devido às restrições impostas à sua circulação.
Para hoje, as autoridades francesas decretaram o encerramento do espaço aéreo circundante à zona do desfile, numa área de 150 quilómetros, a fim de garantir que nenhum objecto voador não identificado interfira nas medidas de segurança, sobretudo aquelas definidas como pertinentes para o controlo e supervisão dos “drones” ligados à organização.