Este debate em torno da ausência de Elias Gaspar Pelembe, o Dominguez das nossas mais relevantes glórias futebolísticas das últimas duas décadas, não precisa ser levado para a Corte de Pilatos; tão-pouco deve alimentar o palanque desportivo com as mais variadas insinuações, como se o EP7 fosse aquela figura sobejamente bajulada pelos mais recentes protestantes.

Em 10 anos de “capitão” da Selecção Nacional de Moçambique, não existe registo de improbidade do jogador que já foi campeão da “Premier Soccer League” por cinco vezes, representando o Supersport United, o Mamelodi Sundowns e o Bidvest Wits, clube pelo qual ainda venceu a Taça da África do Sul.
Esta tentativa de o transformar em vilão nem sequer fica bem para quem já esteve inebriado com o perfume do seu futebol bem no início da sua brilhante carreira, no histórico Grupo Desportivo de Maputo, clube pelo qual arrebatou uma “dobradinha” em 2006, quando foi considerado, por unanimidade, o melhor jogador do Moçambola.
Independentemente do que acontecer amanhã, quando os “Mambas” defrontarem a Argélia, não pode ser imputado a Dominguez o ónus do seu aparente desencontro com os sazonais prazos de entrega de um passaporte. Ao fazê-lo, a modos como se tenta fazer, estaremos a ser colaborantes com a amnésia e cúmplices de mais um desmerecido desfecho.
Dominguez deve voltar para a Selecção, e ele nem precisa do nosso nepotismo para voltar a envergar aquela braçadeira de “capitão” que, apropriada e decentemente, foi também ostentada por Joaquim João, Chiquinho Conde e Tico-Tico.
É dele, para nosso gáudio e amargura de Pilatos…