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Foto: Celso Macassa. Ilda Manjate é de opinião que a mulher tem de decidir o que quer e para onde quer ir.
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ROSTOS & RASTOS

DE BANDEIROLA EM PUNHO, ILDA MANJATE OPÔS-SE ÀS BARREIRAS DA DISCRIMINAÇÃO

Grande vénia vai para o saudoso Ricardino Chongola, conceituado árbitro que abandonou o mundo dos vivos em Abril de 2011. Foi ele que, teimosamente, insistiu tanto até esgotar os argumentos que sustentavam a repulsa de Ilda Manjate, que não queria saber nada da arbitragem. Já com o coração amolecido e rendido, aceitou mergulhar no mundo da arbitragem, tornando-se na segunda mulher a servir a classe, depois de Angélica Zibia. Esta mulher de fibra vestiu-se de preto e teve intimidade com a bandeirola durante 14 anos.

À porta do mês da mulher moçambicana, que celebra o seu dia a 7 de Abril, Rostos & Rastos decidiu dedicar uma ode às lutas e conquistas das mulheres por via desta entrevista. O encontro com Ilda Manjate ocorreu algures na Matola-Rio, onde fixou residência. Ao seu jeito característico, ela recebe-nos com o seu sorriso fácil e aquelas piadinhas que desde sempre resguarda na ponta da língua. É com satisfação que notámos que nela a idade são apenas números, porque não há sinais dos 67 anos estarem a pesar-lhe. Ainda bem!

Depois de parar de correr rente à linha em auxílio dos juízes principais e de aturar provocações de vária ordem, untadas de machismos exacerbados, esta guerreira licenciou-se em Gestão Desportiva, pela Universidade Pedagógica, a conselho do professor Sérgio Kanji, após o que serviu o futebol multiformemente: vice-presidente da Comissão de Futebol de Praia na Associação de Futebol da Cidade de Maputo (AFCM), delegada do Moçambola na Liga Moçambicana de Futebol (LMF), vice-presidente do futebol feminino e secretária da mesa da Assembleia-Geral da Federação Moçambicana de Futebol (FMF) e, de permeio, comissária da CAF e da FIFA.

Segue-se a sua história.

A MENINA DE

CHANGALANE

O seu nome completo é Ilda Maria Cachelo Manjate. Nasceu da união entre João Cachelo Manjate e Ilda Jacinto Chicuele. Veio ao mundo no dia 15 de Setembro de 1958, em Changalane, distrito da Namaacha, província de Maputo, numa família de 13 irmãos. “O meu pai teve duas mulheres. Da parte da minha mãe somos cinco. Faleceram o mais velho, que era o único rapaz, e a mais nova. Ficámos três. Eu, a mais velha, a Maria do Céu e a Felisbela. Alguns praticaram desporto. A Maria do Céu fez corridas de carros e praticou atletismo. A falecida Arlete e a Joana jogaram andebol”.

Ilda não ficava atrás. “Eu gostava de jogar futebol, por influência do meu irmão. Estávamos sempre juntos. Brincava mais com homens do que com mulheres. Recordo-me que também joguei “basket”,  quando fui viver em Porto Amélia (Pemba), em 1972, porque o meu pai era funcionário do Estado e trabalhava na Administração. Num dos jogos na Escola Secundária de Pemba, alguém atirou uma casca de banana. Pisei-a e caí. Fiquei engessada no pé durante um tempo. Melhorei, mas agora, com a idade, volto a sentir dores”.

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Foi fundado no dia 24 de Junho de 1987 como presente da Sociedade do Notícias aos desportistas por ocasião dos 12 anos de Independência Nacional, que se assinalaram nesse mesmo ano.