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PONTO DE EQUILÍBRIO

SERÁ A BÊNÇÃO QUE FALTAVA AO ENZ?

SERÁ A BÊNÇÃO QUE FALTAVA AO ENZ?

O Estádio Nacional do Zimpeto (ENZ), o único, infelizmente, no país que reúne as ríspidas exigências da FIFA, tem sido nos últimos anos a casa das selecções nacionais, sobretudo da equipa A. Ora, esse papel pertenceu durante os tempos idos – esperamos que as direcções locomotivas da capital repensem numa nova fórmula de trazer aos padrões exigidos pelo organismo de tutela do futebol mundial – ao mítico Estádio da Machava, palco dos momentos inolvidáveis, saudosistas e memoráveis cultura e desportivamente.

Fases distintas, factos quase semelhantes é que há 31 anos Machava transbordou para receber a missa papal de Moçambique independente, isto em Setembro 1988, quando João Paulo II escala um país em renascimento e em via de se tornar democrático. Foi a plenitude e bênção divina para o mítico Infulene, que em termos desportivos esbanjou lágrimas de emoção aos adeptos. Aqui, parafraseando Boavida Funjua (título póstumo) num dos seus inúmeros e requintados artigos de opinião cujo título “Saudades Que O Tempo Levou”, lembrava os grandes momentos futebolísticos da Selecção Nacional que a catedral do nosso futebol e de eventos históricos acolheu, destacando, porém, em termos de enchentes e simbolismo, Moçambique vs Zâmbia; Moçambique vs Camarões, Moçambique vs Angola, Moçambique vs Guiné-Conacry e Moçambique vs Malawi, este último que qualificou o país com aquele segundo golo de Tico- -Tico, para a sua segunda presença numa fase final de um Campeonato Africano das Nações. É tão cristalino que Machava viu também sucumbir gigantes africanos, como a Nigéria, Senegal, Burquina Faso, Tunísia ou Cabo Verde. Com oito anos de existência, o ENZ não tem sido o inferno que se esperava para os adversários da equipa de todos nós, um papel que o Estádio da Machava com o tempo foi adquirindo, a ponto de ser temível para qualquer potência africana que nos cruzasse o caminho. O ENZ penaliza-nos nos momentos capitais, foi assim no ano passado contra Namíbia, Guiné-Bissau, sem falar dos dois jogos com Madagáscar para as eliminatórias da CHAN.

GILBERTO GUIBUNDA
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